# Democracia está nas mãos do povo, não em palácios, diz Cármen Lúcia

> Cármen Lúcia, ministra do STF, afirmou durante evento na Flip que a democracia reside nas mãos do povo, não nos palácios. A magistrada lançou o livro 'Pela mão do povo, Democracia e voto no Brasil' e alertou que o voto não representa o único exercício democrático. Cármen Lúcia defendeu que a cidadania ativa transforma o país.

*Congresso e Turismo · Dicas de Viagem · 24 de julho de 2026 · Sônia Vargas Pimentel*

Em evento na Flip, Cármen Lúcia lançou o livro 'Pela mão do povo, Democracia e voto no Brasil' e defendeu que a democracia está nas mãos do povo, não nos palácios. A ministra alertou que o voto não é o único exercício democrático e que a cidadania ativa transforma o país.

## Cármen Lúcia na Flip: democracia está nas mãos do povo, não nos palácios

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia declarou que a democracia está nas mãos do povo, não nos palácios. A afirmação ocorreu durante o lançamento de seu livro _Pela mão do povo, Democracia e voto no Brasil_ (editora Bazar do Tempo), na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), nesta quinta-feira (23). A obra, em coautoria com a cientista política Heloisa Starling e organização da historiadora Nayara Henriques Pinto, percorre a história da democracia brasileira por meio das eleições, das leis e dos eleitores.

"Está em nossas mãos a democracia, não está nos palácios, não está nos gabinetes", afirmou a ministra. A pouco mais de dois meses das eleições, ela defendeu que o povo brasileiro valorize o que já conquistou, como o amplo direito ao voto. No entanto, alertou que o voto não é a única forma de exercício democrático.

"Nem se imagine que o único dia que nós, sociedade, somos soberanos como povo, seja o dia da eleição. Todos os dias nós podemos fazer alguma coisa. Mas é preciso que a gente tenha este ânimo para fazer esta união que nos reúne como um povo", disse a ministra.

### Urna eletrônica: segurança e auditoria constante

Questionada sobre contestações em relação à idoneidade das urnas eletrônicas, Cármen Lúcia explicou que a urna passa por um processo de auditoria constante e que nunca foi comprovado nenhum tipo de equívoco nem erro. "Eu não acredito mais que alguém em sã consciência tenha dúvida sobre a urna", disse.

A ministra afirmou que o povo brasileiro já acolheu o modelo de votação pela urna eletrônica. "Eu sou cidadã brasileira, servidora pública brasileira e, principalmente, eu voto. Fui duas vezes presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Tenho, portanto, absoluta certeza da segurança, da higidez e da transparência do processo eleitoral com a urna eletrônica", defendeu.

### Fragilização democrática e resistência

Segundo a ministra, o mundo todo vive tempos muito difíceis de fragilização democrática. "Há sempre aqueles que não gostam de democracia e não gostam da liberdade dos outros. Então nós temos realmente um movimento de resistência permanente [pela] democracia", ressaltou.

Ela acrescentou, como diz o título do livro, que é pela mão do povo que se pode promover transformações. "Eu não espero que as senhoras e os senhores imaginem que sejam os poderes do Estado que façam um milagre transformador. O que transforma e o grande milagre é feito pela cidadania e eu já vi isso acontecer nas várias oportunidades em que o povo brasileiro se uniu."

### Exemplo da Lei da Ficha Limpa

Cármen Lúcia citou a Lei Complementar 135/2010, conhecida como Lei da Ficha Limpa, que partiu da mobilização da população e chegou ao Congresso, onde foi aprovada. "Na década de 90, [um indivíduo condenado e preso foi] eleito prefeito de uma cidade e governava de dentro da prisão e se dizia 'foi o povo que escolheu' e a lei brasileira propiciava."

"O povo brasileiro, não um povo abstrato, não é um povo ícone, um grupo de cidadãos e cidadãs saíram às ruas, colheram assinaturas, fizeram a proposta de lei", destacou. "O povo não quer uma coisa, ele muda. É preciso ânimo para isso. E é preciso, portanto, para que a gente tenha ânimo democrático, que a gente não desanime civilmente."

### Arte, literatura e democracia

A ministra mencionou que a palavra é o instrumento do direito e é também o instrumento da literatura. Além disso, segundo ela, a literatura e o direito "andaram casados sempre". O livro que mais carrega para os lugares que vai, segundo contou, é o _Romanceiro da Inconfidência_, de Cecília Meireles, que aborda a história da Inconfidência Mineira, ocorrida em 1789.

Para Cármen Lúcia, a arte é transgressora, é um espaço democrático que sinaliza se há uma democracia verdadeira. "Sem arte e cultura não se tem democracia", enfatizou, utilizando a alegoria da construção de uma casa. "Nós não construímos uma casa a partir do teto, nós construímos a partir da fundação. E o que dá a fundação da democracia brasileira é o povo. Democracia não é regime político só, nunca foi. Democracia é uma forma de viver com espaços de liberdade assegurada a todos", defendeu.

Ela aponta ainda que a arte é o único espaço de transgressão permitido no estado de direito. "Por isso é que ditador não gosta da arte, não gosta da arte que não se submeta a ele. Não é que não gosta da arte também não. Ele quer submeter, sujeitar a cultura. Querem uma cultura subordinada e a cultura é transgressora", concluiu.

Cármen Lúcia participa também, nesta sexta-feira (24), da 10ª mesa do programa principal da Flip, com o tema _Estado de sítio, estado de sido, estase_, às 13h30. Haverá transmissão ao vivo pelo telão do Palco da Praça e pelo YouTube da Flip.

## Perguntas Frequentes

### Cármen Lúcia disse que a democracia está nas mãos do povo?

Sim. Durante a Flip, a ministra declarou: "Está em nossas mãos a democracia, não está nos palácios, não está nos gabinetes."

### O que Cármen Lúcia falou sobre as urnas eletrônicas?

Ela afirmou que a urna passa por auditoria constante e que nunca foi comprovado erro algum. Disse ter "absoluta certeza da segurança, da higidez e da transparência do processo eleitoral com a urna eletrônica".

### Qual livro Cármen Lúcia lançou na Flip?

O livro _Pela mão do povo, Democracia e voto no Brasil_, em coautoria com Heloisa Starling e organização de Nayara Henriques Pinto.

### O que a ministra disse sobre a arte e a democracia?

Para ela, a arte é transgressora e um espaço democrático. "Sem arte e cultura não se tem democracia", enfatizou.

### Quando será a próxima participação de Cármen Lúcia na Flip?

Nesta sexta-feira (24), às 13h30, na 10ª mesa do programa principal, com transmissão ao vivo pelo telão do Palco da Praça e pelo YouTube da Flip.

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Fonte (canonical): https://congressoenoturismo.com.br/dicas-de-viagem/democracia-esta-maos-povo-nao-palacios-diz-carmen-lucia/
