No Dia da Mulher Negra, Angela Davis participou da Flip 2026 em Paraty, criticou a gentrificação e o racismo ambiental, e citou pensadoras brasileiras como Conceição Evaristo, Beatriz Nascimento e Lélia Gonzalez.
Flip: Angela Davis cita pensadores brasileiros e critica gentrificação
No sábado (25), Dia da Mulher Negra, Angela Davis foi um dos destaques da 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Em evento público e gratuito no Sesc Caborê, a ativista e pesquisadora conversou com a jornalista Flávia Oliveira sobre gentrificação, racismo ambiental e a força da literatura negra.
Angela Davis critica gentrificação em Paraty. Ela denunciou o processo que eleva o custo de vida e expulsa moradores pobres de suas terras ancestrais. "Aqui em Paraty, tentam criar meios para ganhar mais lucro, tirando as pessoas das suas terras, das terras dos seus ancestrais", disse. A ativista também apontou o racismo ambiental, que ameaça o futuro dos jovens. "Eles não terão futuro para viver neste planeta."
Pensadoras brasileiras citadas por Angela Davis na Flip
Durante a mediação de Flávia Oliveira, Angela Davis citou três intelectuais brasileiras. Ela mencionou Conceição Evaristo, que estava na plateia, colocando-a no mesmo patamar da cantora Nina Simone e da escritora Toni Morrison. Sobre o conceito de "escrevivência", criado por Conceição, Angela afirmou: "Toni Morrison nos mostrou que a experiência branca não é universal."
A ativista também homenageou Beatriz Nascimento, autora da frase "eu sou atlântica". "Quando ela falou 'eu sou atlântica', ela emitiu o sentimento que nos chega a todos, que nos faz sentir parte de um mundo gigantesco", comentou.
Outra referência foi Lélia Gonzalez, que Angela disse amar. Destacou o conceito de Amefricanidade, que reconhece a luta negra junto com o povo indígena. Para Angela, Lélia é "uma crítica do capitalismo, algo que precisamos fazer na primeira era dos trilionários".
Luta coletiva e crítica ao capitalismo
Angela Davis lembrou sua prisão nos anos 1970, por falsa acusação de conspiração e homicídio, e como a mobilização global a libertou. "As pessoas se unindo além das fronteiras podem impedir as pessoas que violam direitos", disse. Ela defendeu a redução da jornada de trabalho, a inclusão de negros nas universidades e criticou governos autoritários. "O povo é mais forte do que o fascismo que pretende governá-lo."
Ela também reforçou a luta pela Palestina, da qual participa desde os anos 1960. "Por um longo período, parecia impossível a opinião pública mundial ser contrária ao Estado de Israel", afirmou, celebrando mudanças recentes.
Perguntas Frequentes
O que Angela Davis disse sobre gentrificação em Paraty?
Ela criticou o processo que expulsa moradores pobres de suas terras ancestrais para gerar lucro, e apontou o racismo ambiental como ameaça ao futuro dos jovens.
Quais pensadoras brasileiras Angela Davis citou na Flip?
Ela citou Conceição Evaristo, Beatriz Nascimento e Lélia Gonzalez, destacando seus conceitos de escrevivência, identidade atlântica e Amefricanidade.
Por que Angela Davis foi presa?
Ela foi presa sob falsa acusação de conspiração, sequestro e homicídio, devido ao seu ativismo no Partido Comunista e nos Panteras Negras. A mobilização global impediu sua execução.
O que Angela Davis defendeu sobre jornada de trabalho?
Ela defendeu a redução da jornada para permitir mais tempo de lazer e acesso à cultura, citando exemplos na Europa.
Qual a relação de Angela Davis com a Palestina?
Ela participa da luta pela Palestina desde os anos 1960 e celebrou a mudança na opinião pública mundial sobre o Estado de Israel.
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