Escreviventes (Pallas Editora), lançado na Flip 2026, registra conversa entre Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz. O diálogo, gravado no quilombo Kaza 123, aborda literatura, memória e racismo, com críticas à dificuldade de adaptar projetos negros ao audiovisual.
O livro Escreviventes, da Pallas Editora, foi lançado durante a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), em julho de 2026, em eventos lotados que reuniram as autoras Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz. A obra registra o diálogo entre as duas escritoras, gravado ao longo de dois dias na Kaza 123, quilombo urbano em Vila Isabel, no Rio de Janeiro. A conversa percorreu temas como literatura, memória, racismo, maternidade, envelhecimento e amizade, demonstrando como as experiências vividas atravessam a escrita literária.
"Nós estamos exercendo o direito à memória", destacou Conceição, em evento na Casa Estante Virtual. O lançamento ocorre em momento simbólico: em 2026, Conceição celebra 80 anos de vida e Eliana comemora seus 60 anos.
O conceito de escrevivência e a ficcionalização
Ao comentar seu conceito de escrevivência, Conceição Evaristo reforçou que diz respeito não apenas à memória e relatos autobiográficos, mas envolve também criação e ficcionalização. "Só escreve ficção quem conhece a realidade", lembrou a escritora, ao citar o autor angolano Pepetela. Para Conceição, é o conhecimento da realidade que dá a possibilidade de elaborar ficção, inclusive "ficcionalizar uma memória que a gente não tem", como no romance Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves, que inspirou suas reflexões.
A obra inaugura a coleção Memórias Brasileiras e antecipa o documentário homônimo, dirigido por Estevão Ribeiro, com previsão de estreia em festivais em 2027.
O protesto de Eliana Alves Cruz sobre o audiovisual
Eliana Alves Cruz ressaltou a importância de registros como esses, citando a carência de material sobre autores como Lélia Gonzalez. "Toda e qualquer oportunidade que a gente tenha para registrar as pessoas, a gente precisa usar", disse a escritora. No entanto, Eliana lamentou a dificuldade para que projetos relacionados à história e à memória negra sejam adaptados ao formato audiovisual.
"E aqui vai um pouco um protesto, porque eu acho que não é surpresa para ninguém. Essa democratização da literatura é algo muito recente no Brasil. E muito se deve à tecnologia, à chance de ter livros, e-book. Mas, no audiovisual, a gente tem um cenário bem difícil", afirmou.
Perguntas Frequentes
O que é o livro Escreviventes?
É uma obra da Pallas Editora que registra o diálogo entre Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz, lançado na Flip 2026.
Onde foi gravado o diálogo do livro?
O diálogo foi gravado na Kaza 123, quilombo urbano localizado em Vila Isabel, no Rio de Janeiro.
Qual é a coleção que Escreviventes inaugura?
A obra inaugura a coleção Memórias Brasileiras.
Quando estreia o documentário Escreviventes?
O documentário, dirigido por Estevão Ribeiro, tem previsão de estreia em festivais em 2027.
Qual foi o protesto de Eliana Alves Cruz no lançamento?
Ela criticou a dificuldade de adaptar projetos de história e memória negra ao formato audiovisual no Brasil.
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