# Mestres da cultura popular evocam tradição e encanto a novos públicos

> Rainha Francisca Dias, mestra da cultura popular do quilombo de Morro Alto, lidera 20 músicos em apresentação gratuita no Conic, em Brasília, neste sábado (29), às 20h. O evento reúne artistas de 11 estados e do Distrito Federal, evocando tradição e encanto para novos públicos. A performance integra programação que valoriza patrimônios imateriais brasileiros.

*Congresso e Turismo · Dicas de Viagem · 29 de agosto de 2026 · Volney Cardim Salgado*

Rainha Francisca Dias, de 65 anos, e mais 19 músicos do quilombo de Morro Alto sobem ao palco do Conic, em Brasília, neste sábado (29), às 20h, com entrada gratuita. O encontro reúne artistas de 11 estados e do DF.

A rainha Francisca Dias, de 65 anos, conhece o peso de uma coroa. Há uma década "alumiada", ela lidera o Maçambique de Osório, congada gaúcha de matriz africana bantu mantida desde o século 19 na comunidade quilombola do Morro Alto, no litoral norte do Rio Grande do Sul. Neste sábado (29), às 20h, ela e mais 19 músicos do quilombo sobem ao palco do Conic, em Brasília, no Encontro de Mestres da cultura popular, com entrada gratuita.

"São as mesmas roupas e músicas desde sempre", diz a rainha, conhecida como Rainha Ginga Preta. A comunidade produz tudo, inclusive os instrumentos, como a maçacaia, cestinho de taquara com sementes de caetés que dá ritmo ao congado. A fé católica enaltece Nossa Senhora do Rosário: "A bandeira é muito sagrada para a gente". Para ela, a arte também ensina contra o racismo: "A gente prepara as nossas crianças para se defenderem com palavras".

O encontro, que começou na quinta-feira (27), reúne artistas de 11 estados e do DF, segundo o curador Anderson Formiga. "A gente tentou formar um mosaico de cultura popular, que é muito negro, mas que também tem um pé nas origens europeias e outras indígenas", disse. Além do palco, há oficinas.

Do Maranhão, o mestre Tião Carvalho, de 71 anos, fundou o grupo Cupuaçu e mistura samba, coco, bumba-meu-boi, forró e baião. "É preciso que o Brasil valorize mais a cultura tradicional", afirmou. A rainha Francisca sonha em honrar os ancestrais. A mãe, Severina Dias, última rainha, morreu em 7 de outubro de 2016, dia de Rosário. Neste ano, a celebração do maçambique ocorre em 24 de setembro, por causa das eleições. O quilombo conta com 1.750 famílias. "Quando eles estão na congada, ninguém nem pensa em pegar o celular", observa a rainha Preta.

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