# Mostra em SP exibe produção de Vincent Carelli

> Vincent Carelli tem seu documentário Arquivo Vivo, codirigido com Ana Carvalho, exibido pelo CineSesc em São Paulo nesta quinta-feira, às 20h, durante o festival Amor ao Cinema. O filme resgata a trajetória do projeto Vídeo nas Aldeias e seu acervo de mais de 70 produções audiovisuais realizadas com povos indígenas.

*Congresso e Turismo · Dicas de Viagem · 10 de setembro de 2026 · Reginaldo Esteves Bonifácio*

O CineSesc exibe nesta quinta-feira (10), às 20h, o documentário Arquivo Vivo, dirigido por Vincent Carelli e Ana Carvalho, dentro do festival Amor ao Cinema. A obra recupera a trajetória do projeto Vídeo nas Aldeias e seu acervo de mais de 70 filmes.

O CineSesc, na capital paulista, exibe nesta quinta-feira (10), às 20h, o documentário Arquivo Vivo, em que Vincent Carelli e Ana Carvalho dividem a direção. A sessão integra a programação do festival Amor ao Cinema. A obra recupera como o projeto Vídeo nas Aldeias se firmou enquanto acervo dos povos originários brasileiros, com mais de 70 filmes rodados.

A trajetória de Carelli, franco-brasileiro, começou antes do cinema. Ainda em São Paulo, foi influenciado por um missionário dominicano de seu colégio, que já circulava em comunidades Mẽbengôkre Xikrin (ou Kayapó Xikrin), no Pará. Das apresentações com slides que o religioso preparava para as aulas nasceu a vontade de acompanhá-lo nas viagens. Aos 16 anos, pediu para ir em uma delas e teve o pedido atendido.

Era a primeira vez que subia em um avião. A sequência de voar e, horas depois, descer na floresta e entrar na aldeia marcou sua trajetória. "A sensação de ter adentrado em outro momento da humanidade foi muito forte. O cheiro, a emoção. A emoção deles [indígenas], que também estavam recebendo um [indígena] que estava se tratando em Marabá, e aquele choro kayapó diante do retorno, a saudade das irmãs", lembra Carelli, filho parisiense do ceramista, desenhista e pintor Antônio Carelli e de mãe brasileira, e irmão da atriz e diretora teatral Chica Carelli.

"Para mim, foi uma experiência definitiva. Eu voltei lá dois anos consecutivos, fiz um ano de USP [Universidade de São Paulo] e disse, quer saber de uma coisa? eu vou morar lá", conta. Já reconhecido como um não indígena de confiança, foi convidado pelos xikrin a permanecer na aldeia após concluir uma formação de indigenista em Brasília. Como era o período da ditadura, porém, houve um impedimento de militar, naquele momento e daquela forma, com o movimento indígena. O argumento, segundo Carelli, era que "não daria certo, por ele ser muito amigo dos indígenas".

"Na época da ditadura, as ONGs foram demonizadas. E as associações indígenas, nem a Funai [então Fundação Nacional do Índio] queria ouvir falar disso!", lembra.

Nos anos 1970, o cineasta trabalhou na Funai e cofundou o Centro de Trabalho Indigenista (CTI), com um grupo de antropólogos. Foi também nessa década que ele e Andrea Tonacci se conheceram, para formatar um projeto para a Guggenheim, chamado Inter Povos. Tonacci já idealizava usar o vídeo para encurtar distâncias entre os povos indígenas, e o VHS foi o ingrediente que faltava para transformá-los também em cineastas.

Em 1986, com essa proposta, começava oficialmente a história do Vídeo nas Aldeias, estruturado por Carelli com sua esposa, a antropóloga Virgínia Valadão. O projeto não parou nem durante a pandemia da covid-19. Ao contrário, seria, pela negligência do governo de Jair Bolsonaro, segundo Carelli, ainda mais importante para documentar o que foi, para muitos indígenas, seu ciclo derradeiro.

"A questão da apropriação da imagem, afinal, tem várias dimensões. Uma é a que se tem consigo mesmo. Mas tem também a de memória de vidas que estão sofrendo um momento muito intenso de cotidiano, de novidades. Os velhos se vão", pondera.

Além de realizador audiovisual e educador na área, Carelli foi jornalista e repórter fotográfico freelancer das revistas IstoÉ, Repórter Três e do jornal Movimento. Foi também editor fotográfico e pesquisador do Projeto Povos Indígenas no Brasil do Centro Ecumênico de Documentação e Informação (Cedi), que deu lugar ao Instituto Socioambiental (ISA).

Um questionamento mencionado pelo indigenista provoca melindres até hoje: "Existe instituição do Estado brasileiro comandada, com autonomia, por povos indígenas? Qual é a relação dos museus? É quase uma utopia. E eles não podem ser alienados das imagens, têm que ter acesso a elas."

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Fonte (canonical): https://congressoenoturismo.com.br/dicas-de-viagem/mostra-sp-exibe-producao-indigenista-vincent-carelli/
