# Representação indígena vai além de candidatos eleitos, diz cineasta

> O cineasta João Moreira Salles, no filme 'Minha Terra Estrangeira' exibido no Bonito CineSur, questiona a limitação da representatividade indígena a candidatos eleitos. A obra acompanha Almir Suruí e Txai Suruí, com Louise Botkay e o Coletivo Lakapoy, propondo uma reflexão sobre formas mais amplas de presença e voz indígena na sociedade.

*Congresso e Turismo · Dicas de Viagem · 29 de julho de 2026 · Tatiana Holanda Quezado*

No longa 'Minha Terra Estrangeira', exibido no Bonito CineSur, o cineasta João Moreira Salles convida Louise Botkay e o Coletivo Lakapoy para acompanhar Almir Suruí e sua filha Txai. O resultado questiona a representatividade apenas eleitoral.

## Representação indígena vai além de candidatos eleitos, diz cineasta

Para o cineasta João Moreira Salles, a representação política dos povos indígenas não se esgota no número de cadeiras conquistadas no Congresso. No documentário 'Minha Terra Estrangeira', exibido no festival Bonito CineSur, ele mostra como a militância de uma nova geração se fortalece fora das urnas. Dos 50 indígenas que se candidataram em 2022, apenas cinco foram eleitos deputados federais, um avanço ainda pequeno, reconhecem os diretores.

## A câmera que aprendeu a colaborar

Diferente de 'Entreatos', seu documentário político anterior, Salles não dirige sozinho. Para filmar 'Minha Terra Estrangeira', ele convidou Louise Botkay e o Coletivo Lakapoy, formado principalmente por cineastas indígenas. Juntos, acompanharam o líder Almir Suruí e sua filha Txai durante as eleições de 2022. O resultado, segundo o diretor, foi "fascinante".

A ideia inicial era um filme centrado em Txai, mas a candidatura do pai a deputado federal mudou a perspectiva. O longa passou a contar duas histórias paralelas: a campanha de Almir e a atuação da jovem em protestos e na COP26, em 2021.

## Duas câmeras, duas visões de mundo

A filmagem foi dividida: o Coletivo Lakapoy e Louise Botkay registraram Almir em campanha; Salles voltou sua câmera para Txai. Na montagem, as imagens se cruzaram, rompendo a linearidade comum a filmes políticos. "A verdadeira colaboração se manifestou no momento da montagem", afirmou Salles. A perspectiva indígena, segundo ele, acabou sempre prevalecendo. "Ela é mais potente politicamente."

## O tempo circular contra a seta da história

Ao ver a primeira versão, os indígenas questionaram o final com uma vitória. Na experiência deles, a derrota é mais frequente. O filme foi remontado a partir de um entendimento diferente do tempo. "O nosso tempo tende a ser linear, uma seta. O tempo indígena é de outra natureza, circular", explicou Salles. O resultado é uma estrutura em espiral, com avanços, repetições e recuos.

## Uma geração que não quer ser representada

Para Salles, o documentário mostra um movimento mais amplo: "Há uma geração nova de militantes indígenas que vem com uma força muito grande. Uma das personagens do filme, a Txai, representa isso muito bem. Há um movimento de uma geração inteira de indígenas que não quer mais ser representada, que quer ser representante."

Essa geração, segundo ele, não depende apenas de vitórias eleitorais para fazer política. A representatividade se constrói também nas ruas, nas conferências internacionais e na produção de imagens, como as do próprio Coletivo Lakapoy.

## Como assistir e refletir

'Minha Terra Estrangeira' esteve em cartaz no Bonito CineSur até 1º de agosto. O filme nos convida a repensar o que significa representação política quando a cosmovisão de um povo não cabe na linearidade de um mandato.

## Perguntas Frequentes

### O documentário 'Minha Terra Estrangeira' está disponível onde?

A exibição mais recente ocorreu no festival Bonito CineSur, em Bonito (MS). Ainda não há data de estreia comercial confirmada.

### Quem é Txai Suruí?

Txai é filha do líder indígena Almir Suruí e uma das personagens centrais do documentário. Ela liderou protestos e discursou na COP26 em 2021.

### Quantos indígenas foram eleitos em 2022?

Dos 50 candidatos indígenas a deputado federal, cinco foram eleitos.

### O que é o Coletivo Lakapoy?

É um grupo formado principalmente por cineastas indígenas, que colaborou na filmagem de 'Minha Terra Estrangeira'.

### Qual a diferença entre 'Entreatos' e 'Minha Terra Estrangeira'?

Em 'Entreatos', Salles observava de fora. No novo filme, a câmera é compartilhada com cineastas indígenas, e a montagem incorpora a cosmovisão circular deles.

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Fonte (canonical): https://congressoenoturismo.com.br/dicas-de-viagem/representacao-indigena-vai-alem-candidatos-eleitos-diz-cineasta/
