Criado por Mara Régia di Perna em 1981, o Viva Maria, da Rádio Nacional, completa 45 anos com 8,2 mil edições, mais de 30 prêmios e uma série de 14 podcasts que reconta essa trajetória de cidadania e direitos das mulheres.
Quando entrar setembro, as Marias haverão de consolidar seu espaço na comunicação brasileira. A frase, decorada por Mara Régia di Perna, abriu em 1981 o primeiro Viva Maria, da Rádio Nacional, da Empresa Brasil de Comunicação. Ela tinha 30 anos, o coração descompassado e a voz rouca de quem estreava uma responsabilidade que duraria décadas.
Quarenta e cinco anos depois, o programa soma 8,2 mil edições veiculadas pelas emissoras da EBC. A Rádio Nacional exibe a partir de hoje uma série de 14 podcasts que reconta essa trajetória, marcada por temas como mercado de trabalho, saúde, educação e enfrentamento à violência contra a mulher.
O que começou como um espaço de reivindicações virou referência internacional em informação sobre cidadania, gênero e direitos humanos. Pelo menos 30 estudos de pós-graduação já se debruçaram sobre o Viva Maria. Mara lembra que o programa nasceu em uma década decisiva para a cidadania das mulheres, com a promulgação da Constituição. Ela participou da divulgação da Carta das Mulheres aos Constituintes, entregue em 27 de março de 1987.
A motivação, porém, vinha de antes. Sua mãe, Yolanda, foi vítima de violência doméstica nas mãos do pai, dependente de álcool. Criada no Rio de Janeiro, Mara mudou-se para Brasília, onde cursou jornalismo e publicidade, e morou dois anos em Londres para se aprofundar em questões de gênero. "Pensei que deveria fazer algo para as mulheres não sofrerem o que minha mãe estava sofrendo", conta. As pressões do programa ajudaram a implementar a primeira delegacia especial de atendimento à mulher em Brasília, em 1986. Mara recebeu ameaças por telefone, passou a ser protegida pela polícia local e organizou para que os dois filhos morassem por um tempo com familiares fora da capital. "Nunca pensei em desistir", diz.
O retorno veio das ouvintes. Cartas manuscritas, telefonemas e caixas de e-mail lotadas alimentaram o programa, que transformou entrevistadas em multiplicadoras. No Amapá, a campanha por perucas para vítimas de escalpelamento revelou a professora Rosinete Serrão, que voltou a estudar e se formou em pedagogia. No Acre, a parteira Maria Zenaide Carvalho diz que o rádio une as parteiras da Região Norte. A trabalhadora rural Kennya Silva viu uma carta sua virar entrevista e, depois, curso de letras. O Viva Maria enfileira mais de 30 prêmios nacionais e internacionais.
Para acompanhar a série de podcasts, basta procurar os canais da Rádio Nacional e da EBC. programação da Rádio Nacional
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