# Padre impede Lavagem da Madeleine em Paris; festa muda de local

> A 25ª Lavagem da Madeleine ocorre em 13 de julho de 2025 em área pública diante da igreja da Madeleine, em Paris, após o padre local negar autorização para o ritual dentro do templo. Organizada pela comunidade brasileira, a festa espera 60 mil pessoas e tem Mariene de Castro como principal atração.

*Congresso e Turismo · Viagem Internacional · 14 de setembro de 2026 · Ângela Petrovich Maranhão*

Sem autorização da Igreja, a 25ª Lavagem da Madeleine acontece neste domingo (13) em área pública diante do templo, em Paris. Organizadores esperam 60 mil pessoas e Mariene de Castro é a principal atração.

A 25ª edição da Lavagem da Madeleine, celebração afro-brasileira realizada em Paris, não obteve autorização da Igreja para lavar as escadarias do templo neste domingo (13). O evento foi transferido para a área pública em frente à igreja, onde os organizadores esperam 60 mil pessoas.

O pároco de La Madeleine, Monsenhor Patrick Chauvet, informou que não permitiria a lavagem da escadaria em 2026, como ocorreu nos últimos anos. Em nota, a organização da 25ª edição lamentou a decisão e afirmou que permanece aberta ao diálogo. Procurada pela reportagem, a Arquidiocese de Paris não explicou a negativa.

O que muda na 25ª edição

A celebração mantém os rituais religiosos, mas o cortejo e as apresentações artísticas ganham as ruas. A concentração será na Place de la République, de onde sai um cortejo ao som de samba, maracatu, capoeira e com uma ala de baianas. A cantora Mariene de Castro é a principal atração. O mestre de cerimônias, o multiartista Robertinho Chaves, um dos organizadores, comandará o evento ao lado dela, do alto de um trio elétrico.

No trio, também são esperados o cantor Jau, a artista franco-brasileira Gildaa e Lorena Pires, residente da Academia de Ópera Nacional de Paris, que interpretará a oração Ave Maria. Cerca de uma centena de artistas deve participar da festa, que se estende pelas ruas de Paris após o ato religioso em frente à igreja.

Uma celebração ecumênica e reconhecida

A Lavagem da Madeleine é inspirada na tradicional Lavagem da Igreja do Bonfim, em Salvador. Reúne referências do catolicismo e das religiões de matriz africana. Em Paris, é realizada há mais de duas décadas e, desde 2022, é reconhecida pelo Ministério da Cultura francês como patrimônio imaterial, parte do calendário cultural da cidade.

A festa integra a Rota dos Escravizados da Unesco, roteiro cultural internacional que conecta locais relacionados à história da escravidão. Na edição de 2025, celebrou a cantora Preta Gil. Em anos anteriores, contou com Gilberto Gil, Caetano Veloso, Daniela Mercury, Margareth Menezes, Carlinhos Brown e Olodum.

Segundo Robertinho Chaves, a festa divulga a cultura brasileira na Europa e tem compromisso com a tolerância. Em nota no site, a organização conclamou apoio: "Convocamos artistas, instituições culturais, líderes religiosos, movimentos sociais, brasileiros, franceses, imigrantes e todas as pessoas comprometidas com a liberdade religiosa, a diversidade e direitos a apoiarem a 25ª edição da Lavagem e a se unirem a esta demonstração de resistência cultural".

A reportagem procurou os órgãos oficiais da França no Brasil para comentar a negativa da igreja, mas não obteve retorno por causa do fuso horário. Para quem viaja a trabalho e tem o domingo livre em Paris, a dica prática é chegar cedo à Place de la République: o cortejo sai dali e o entorno costuma ficar fechado para veículos ao longo da tarde.

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Fonte (canonical): https://congressoenoturismo.com.br/viagem-internacional/padre-impede-lavagem-madeleine-celebracao-afro-brasileira-paris/
