Fortaleza recebe a exposição 'Terror celestial' no MAC Dragão, a partir de 18 de julho. Com curadoria de Lucas Dilacerda, a mostra reúne 24 artistas LGBT+ que reelaboram o imaginário do terror como potência criativa, em três linhas curatórias.
Com a proposta de reelaborar o imaginário do medo e do terror como forças de criação da população LGBT+, o Museu de Arte Contemporânea (MAC Dragão), em Fortaleza, recebe a partir deste sábado (18) a exposição "Terror celestial". A mostra, que vai até o dia 4 de outubro, reúne obras de 24 artistas de diferentes linguagens.
A exposição 'Terror celestial' no MAC Dragão, em Fortaleza, reúne 24 artistas LGBT+ que transformam o imaginário do terror em força criativa. Com curadoria de Lucas Dilacerda, a mostra vai de 18 de julho a 4 de outubro, com obras de pintura, escultura, vídeo e performance, divididas em três linhas curatórias: Monstros e quimeras, Espiritualidade terrena e Terror das formas.
Curadoria aborda violência histórica como motor criativo
O curador Lucas Dilacerda disse à Agência Brasil que a proposta é abordar a relação da comunidade LGBT+ com o terror. Ele destaca que, historicamente, a sociedade tem classificado essa população como figuras anormais, muitas vezes chamadas de monstros, estranhas, assustadoras, freak, aberrações e uma série de xingamentos que violentam seus corpos.
"Essa violência começa a causar uma série de traumas e uma série de problemas e estruturas psíquicas que vão se reverberar na vida adulta. Então, a exposição investiga como todo esse imaginário do terror é reelaborado por esses artistas, transformado e transmutado na produção artística", disse.
Dilacerda analisou que a concepção da mostra dialoga com a percepção de que, frequentemente, o ser humano descarrega seus medos inconscientes no "outro", como no caso da população LGBT+, e projeta nela a imagem de "anormal" para se auto afirmar como "normal".
Seleção partiu de mapeamento com quase 300 portfólios
Para chegar no formato que será apresentado, o curador desenvolveu um intenso trabalho de pesquisa sobre a produção de artistas LGBT+. Na fase inicial, o mapeamento reuniu quase 300 portfólios. Foram selecionados, então, artistas com interseccionalidades de raça, território e geração, além da multiplicidade de linguagens.
"É importante que [a exposição] mostre que não existe uma única cara de pessoas LGBT, que elas são diversas na sua multiplicidade", relatou.
Além disso, a mostra conta com recursos de acessibilidade, como textos em Libras, audiodescrição e prancha de comunicação alternativa. Eles podem ser acessados em uma plataforma digital, por meio de QR Code ou com o auxílio da equipe educativa.
Monstros e quimeras: primeira linha curatorial
"Terror celestial" é elaborada com três linhas: Monstros e quimeras; Espiritualidade terrena; e Terror das formas.
A primeira linha curatorial apresenta obras que discutem a monstruosidade como aquilo que transcende ao nosso entendimento sobre o que é a humanidade. As obras abordam o cruzamento dos reinos dos animais, das plantas, dos minerais, dos encantados e das forças sobre-humanas. Estão nessa parte da exposição Davi Ângelo, Higo José, insiranomeaqui, Jonas Van, Juno B, Luciana Magno, Maurício Coutinho e Trojany.
Espiritualidade terrena: religião como local de cura
A segunda linha curatorial aborda a temática da religião. Se, por um lado, a religião cristã foi um espaço de violência, por outro lado, pessoas LGBT+ buscam outras religiões para se conectar com a espiritualidade, que é discutida pela exposição como um local de cura. A curadoria apresenta saberes de matriz africana, tradições populares, cosmovisões indígenas e outras formas de conexão com a natureza espiritual, em trabalhos de Carnaval no Inferno, Darwin Marinho, Charles Lessa, Isadora Ravena, Georgia Vitrilis, Honório Félix, Nicolas Gondim, Pedra Silva e Sérgio Gurgel.
Terror das formas: desobediência como criação
A terceira e última linha curatorial parte do conceito de "terrorismo de gênero". Terrorismo aqui é sinônimo de desobediência e, portanto, de criação de outras formas de existir. As obras de Antonio Breno, Bárbara Banida, Camila Albuquerque, Céu Vasconcelos, Gi Monteiro, Jonas Pinheiro e plantomorpho assustam a gramática normativa das artes e criam outras visualidades e expressões.
"Na exposição, a gente vai encontrar pintura, escultura, desenho, fotografia, vídeo, performance, objeto, instalação, da mesma forma que a gente vai encontrar também uma multiplicidade de materiais, como barro, cerâmica, giz, grafite, sal, terra, óleo e óxido de ferro", finalizou Dilarcerda.
Perguntas Frequentes
Onde fica a exposição 'Terror celestial'?
No Museu de Arte Contemporânea (MAC Dragão), em Fortaleza.
Quando começa e termina a mostra?
A exposição vai de 18 de julho a 4 de outubro.
Quantos artistas participam?
São 24 artistas de diferentes linguagens.
Quem é o curador?
Lucas Dilacerda.
Quais são as três linhas curatórias?
Monstros e quimeras; Espiritualidade terrena; e Terror das formas.
A exposição tem acessibilidade?
Sim, com textos em Libras, audiodescrição e prancha de comunicação alternativa, acessíveis por QR Code ou equipe educativa.
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