Destinos Nacionais Atualizado em 07 de setembro de 2026 por Ângela Petrovich Maranhão

Naufrágios históricos, vestígios coloniais e áreas de proteção: o Brasil tem um roteiro submerso para quem viaja a trabalho e abre espaço para o mergulho cultural.

Viajar a trabalho nem sempre deixa espaço para um roteiro cultural tradicional. Mas, entre uma reunião e outra, existe um Brasil submerso que cabe na agenda: os sítios de arqueologia subaquática. São naufrágios históricos, antigas estruturas portuárias e até cidades parcialmente alagadas, acessíveis por mergulho recreativo ou por visitas monitoradas. A seguir, listamos 13 lugares onde a história repousa no fundo do mar e pode ser visitada com responsabilidade.

1. Baía de Todos os Santos, Bahia

A baía concentra um dos maiores acervos de naufrágios do país, resultado de séculos de navegação colonial. O Galeão Sacramento, que afundou em 1668, é um dos pontos mais procurados por mergulhadores com certificação avançada. A visita exige operadora autorizada pelo Iphan, que regula o acesso aos sítios.

2. Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, Pernambuco

A área protegida abriga naufrágios do século XIX, como o do navio que transportava tropas e suprimentos. O mergulho é controlado por cotas diárias, o que preserva o sítio e garante segurança. Indicado para quem tem certificação Open Water e experiência em correnteza.

3. Naufrágio do S.S. Campos, Rio de Janeiro

Localizado na altura de Búzios, o vapor espanhol afundou em 1943 após colisão com um cargueiro. O casco repousa a cerca de 25 metros de profundidade, com boa visibilidade e vida marinha abundante. É um dos naufrágios mais visitados do estado por mergulhadores técnicos.

4. Naufrágio do Príncipe de Astúrias, São Paulo

O transatlântico espanhol afundou em 1916 na Ponta da Pirabura, entre Ilhabela e São Sebastião. Com mais de 100 anos de história, o sítio é protegido e exige mergulho avançado, com profundidade entre 10 e 35 metros. A visibilidade varia muito com o clima, então planeje a janela de mergulho com folga.

5. Forte de São João, Rio de Janeiro

Na entrada da Baía de Guanabara, o forte do século XVI tem estruturas submersas que fazem parte do sítio arqueológico. O mergulho é raso, entre 5 e 10 metros, e permite observar muros e âncoras coloniais. Ideal para quem está começando no mergulho e quer associar história a baixa complexidade técnica.

6. Naufrágio do Vapor Itapura, Sergipe

O vapor de cabotagem afundou em 1920 próximo à foz do rio Sergipe. O casco está parcialmente enterrado na areia, mas ainda é possível identificar a hélice e parte da estrutura. O acesso é feito a partir de Aracaju, com operadoras que conhecem as correntes locais.

7. Naufrágio do Navio Bahia, Alagoas

O navio a vapor afundou em 1918 na costa de Maceió, durante rota comercial. O sítio é considerado de alta sensibilidade arqueológica, e o mergulho é permitido apenas com autorização do Iphan. A profundidade média de 20 metros exige certificação avançada.

8. Naufrágio do Vapor Camaquã, Rio Grande do Sul

O vapor naufragou em 1943 no canal de acesso ao porto de Rio Grande. A visibilidade é reduzida pela água turva, o que torna o mergulho mais técnico. Por isso, o sítio é recomendado para mergulhadores experientes, não para turistas ocasionais.

9. Naufrágio do Galeão Santíssimo Sacramento, Bahia

Além da baía, o galeão português afundado em 1668 é um dos sítios mais estudados do país. Pesquisadores já mapearam canhões e louças, mas o acesso ao público é restrito a áreas demarcadas. A visita exige acompanhamento de arqueólogo ou guia credenciado pelo Iphan.

10. Naufrágio do Navio Cidade do Recife, Pernambuco

O navio de passageiros afundou em 1920 na costa de Recife, com mais de 200 pessoas a bordo. O sítio é tombado e o mergulho é liberado apenas para fins científicos. Para o turista, a alternativa é visitar o Memorial dos Náufragos, em terra, que reúne peças resgatadas.

11. Naufrágio do Vapor Assunção, Santa Catarina

O vapor naufragou em 1917 na barra de Florianópolis, em águas rasas. O sítio é acessível a mergulhadores iniciantes, com profundidade média de 8 metros. Porém, a correnteza na região é forte, então a visita depende de condições favoráveis de mar.

12. Naufrágio do Navio São Paulo, Espírito Santo

O navio a vapor afundou em 1908 na costa de Vitória, durante rota de cabotagem. O sítio está em profundidade de 15 a 25 metros, com boa preservação da estrutura. O acesso é feito por operadoras locais, que exigem certificação avançada.

13. Naufrágio do Vapor Rio Branco, Pará

O vapor naufragou em 1915 na baía de Marajó, em região de água barrenta. A visibilidade é quase nula, o que torna o mergulho restrito a equipes técnicas. Para o turista, a melhor forma de conhecer o sítio é por meio de exposições em museus locais, que exibem peças resgatadas.

Como escolher o sítio ideal para sua viagem

Se você tem certificação básica e pouco tempo, priorize o Forte de São João, no Rio, ou o Vapor Assunção, em Florianópolis, ambos com profundidade baixa e acesso relativamente simples. Para mergulhadores avançados que buscam história densa, o Galeão Sacramento e o Príncipe de Astúrias são as melhores escolhas. Em todos os casos, contrate operadoras credenciadas pelo Iphan e confirme a liberação do sítio antes de viajar, pois alguns têm acesso restrito.

FAQ

É permitido visitar sítios de arqueologia subaquática no Brasil?

Sim, mas o acesso é regulamentado. Sítios tombados pelo Iphan exigem autorização prévia, e a visita deve ser feita com operadoras credenciadas. Em alguns casos, como o Navio Cidade do Recife, o mergulho é proibido para turistas, restando a visita a museus.

Preciso ser mergulhador certificado para visitar?

Depende do sítio. Locais com profundidade acima de 18 metros exigem certificação avançada. Para sítios rasos, como o Forte de São João, basta o curso Open Water. Nunca mergulhe sem certificação, mesmo em áreas consideradas fáceis.

Como saber se um sítio está liberado para visitação?

Consulte o Iphan ou a Capitania dos Portos da região. Eles informam quais sítios têm acesso liberado e quais operadoras estão autorizadas. Evite agências que prometem mergulho em áreas protegidas sem citar a autorização.

O que é arqueologia subaquática?

É o estudo de vestígios humanos submersos, como naufrágios, estruturas portuárias e até cidades alagadas. No Brasil, a área é protegida por lei federal, e os sítios são considerados patrimônio cultural.

Qual a melhor época para mergulhar em sítios arqueológicos?

Depende da região. No Nordeste, o período de setembro a março tem águas mais claras e mar calmo. No Sudeste, o inverno costuma ter melhor visibilidade, mas a temperatura da água cai. Verifique as condições locais com a operadora antes de fechar o passeio.

Posso levar equipamento próprio para o mergulho?

Sim, mas o equipamento precisa estar em boas condições e ser inspecionado pela operadora. Em sítios com profundidade maior, é obrigatório o uso de computador de mergulho e cilindro reserva. Se não tiver experiência com equipamento próprio, prefira alugar.

Entre reuniões, cabe uma cidade. E, no caso dos sítios submersos, cabe um pedaço de história que poucos viajantes conhecem. Planeje com antecedência, respeite as regras de preservação e escolha o destino conforme seu nível de mergulho. Viagem de trabalho boa é a que não atrapalha o trabalho, mas também não impede uma descida até o passado.

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